Assim os moçambicanos viram a vitória candanga

â??Mambasâ? goleados (3-0) no desafio amigável com Brasília : Que arte de bem jogar!

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NÃ?O foi uma simples propaganda para enganar os cegos. Foi, isso sim, um aviso de quem sabe e inspira confiança à promessa feita pela selecção de Brasília, a anteceder o encontro amigável com os â??Mambasâ?, ontem, no relvado do Atlético Muçulmano. O técnico brasileiro, Reinaldo Gueldini, referiu-se a um futebol de â??encher o olhoâ?, prático e convincente, enquanto o presidente da Federação de Futebol do Estado de Brasília, Paulo Araújo, dava conta de que quem fosse ao campo não se arrependeria.

Maputo, Sexta-Feira, 4 de Abril de 2008:: Notícias
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Foi assim! O prometido foi cumprido na íntegra. Os brasileiros deram uma verdadeira lição da arte de bem jogar, uma exibição que reflecte um nível de profissionalismo mais elevado comparativamente aos nossos jogadores, que, apesar disso, ofereceram uma forte resistência, sobretudo na segunda parte, pecando apenas na finalização.

Ã? preciso frisar, aliás, que os â??Mambasâ? arrancaram uma excelente exibição neste período, mas a falta de frieza dos atacantes fez gorar todo o esforço feito, e isso deixou muita dor à equipa e aos seus apoiantes, já que, no mínimo, merecia um tento de honra. O ponta-de-lança Binó foi o maior culpado, naquele lance em que esteve apenas com o guarda-redes Rafael pela frente e confundiu-se à procura da baliza, que estava à sua vista. Outras grandes perdidas pertenceram ao atacante Hélder Cuinica e ao meio-campista Momed, também com a baliza pela frente.

Foi um momento insuportável o vivido na segunda metade do jogo, em que os moçambicanos forçaram os brasileiros a recuar e o técnico Reinaldo Gueldini a fazer um jogo de compensação, refrescando a equipa para tentar aguentar com a pressão. Porém, os golos não apareceram, por culpa dos nossos atacantes, sufocando a expectativa do público, que acorreu em número considerável ao campo do Atlético Muçulmano e deu um grande exemplo de patriotismo, apoiando a equipa de todos nós afincadamente.

QUARTO DE HORA DE MORTE

Começou a partida e os â??Mambasâ? ficaram de imediato acorrentados, sem energia para se libertarem. Deixaram os brasileiros tomar a iniciativa do jogo e ficaram a assistir o espectáculo, que acabou lhes ridicularizando, quando o público esperava deles garra e determinação. Deixaram-se manietar e, em consequência disso, os brasileiros assumiram o domínio prematuro do jogo, batendo o guarda-redes Soarito três vezes no espaço de quarto de hora, tendo em conta que o terceiro golo aconteceu aos 17 minutos e era o talentoso Esley a bisar.

Rapidez e precisão, tecnicismo e profissionalismo, foi esta a característica do futebol exibido pelos forasteiros. Os â??Mambasâ? ficaram um bom tempo a correr atrás da bola. O domínio de bola e o passe certo constituem também a forma de estar dos brasileiros em campo. Um futebol vistoso e prático. Vejam só: em três descidas, pelo flanco direito, resolveram o jogo.

Na primeira, forçaram a defensiva moçambicana a cometer falta, próximo da bandeirola. Na cobrança do livre, o ala Adrianinho cruzou para fora da área, dando espaço para Esley â??encher o péâ? e fazer o esférico se anichar nas malhas. Soarito nem sequer se mexeu.

Noutra jogada, de insistência, o lateral direito Paulo Ricardo ganhou a linha do fundo e centrou para o Mário Coluna entrega o troféu ao capitão-adjunto Agenor (C. Bila)atacante Michel bater novamente Soarito. O mesmo Michel ganhou igualmente a linha do fundo, centrando para Esley bisar, aos 17 minutos, e fechar a contagem. O jovem ponta-de-lança Hélder Pelembe lutou sozinho para chegar ao golo, mas não encontrou apoio e o seu colega de ataque, Magaba, não teve a mesma ousadia.

Mário Coluna entrega o troféu ao capitão-adjunto Agenor (C. Bila)

DESPERTAR TARDIO

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Maputo, Sexta-Feira, 4 de Abril de 2008:: Notícias
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O desespero já havia tomado conta das hostes moçambicanas. A goleada prematura fez equacionar um cenário muito mais negro, na segunda parte. Porém, os â??Mambasâ? regressaram corajosos e as mutações feitas por Mart Nooij emprestaram à equipa um outro alento. O guarda-redes Soarito não inspirava confiança e foi substituído por Marcelino. A entrada de Zainadine Júnior e Campira para os lugares de Gabito (lesionado) e Mexer, sustentaram significativamente a defensiva pelas alas.

O meio-campo prevaleceu, mais ficou mais fortalecido com o apoio que foi recebendo dos defensores, sendo Campira o mais eficaz. Mereceu aplausos. No ataque, Sonito (substituído por Hélder Pelembe) foi a mais-valia, mas Binó (Magaba) não atinava com a baliza, Ã semelhança de Hélder Cuinica (Maurício).

Com a ausência de soluções de golo, viu-se um esforço redobrado de toda a equipa de se lançar à baliza de Rafael e, nessas ocasiões, os meio-campistas Danito Parruque e Momed deram o exemplo, na tentativa de quebrar a barreira defensiva brasileira. Numa dessas ocasiões, Danito fez uma boa assistência para Momed que, do poste direito, não teve medida no remate, saindo por cima. Coube também a Momed uma bela recuperação na grande área, para o isolar Binó, que se atrapalhou, atirando para fora.

Os brasileiros foram, por sua vez, gerindo o resultado e refrescando a equipa até ao apito final.

O trabalho da equipa da arbitragem foi excelente.

FICHA DO JOGO

Árbitro: José Maria Rachide, auxiliado por Agostinho Pelembe e Francisco Machel. Quarto árbitro: Estêvão Matsinhe.

MOÃ?AMBIQUE â?? Soarito (Marcelino); Whisky, Mexer, Tony e Gabito (Zainadine Júnior); Danito Parruque, Nelinho, Momed e Maurício (Hélder Cuinica); Magaba (Binó) e Hélder Pelembe (Sonito).

BRASÍLIA â?? Rafael Cardova; Paulo Ricardo, Ozeia (Ícaro), Padovani (Mazinho) e Kaká; Welton, Agenor, Perivaldo e Adrianinho (Rodrigo Melo); Esley (Rodrigo Félix) e Michel (Leo Guerreiro).Â

  • Salvador Nhantumbo do Jornal Notícias de Maputo – Moçambique – fotografias de C. Bila

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