
Poucas vezes uma derrota foi tão controversa. Na arquibancada ouvíamos diferentes opiniões. Havia diferentes opiniões, mas todos concordavam em uma coisa: Tudo seria diferente se Romarinho fizesse o gol que perdeu no primeiro minuto de jogo.

A primeira grande oportunidade ocorreu com cerca de um minuto de jogo. No cruzamento de Bala, Romarinho ficou cara a cara com o gol e errou. Romarinho não costuma perder esse tipo de oportunidade.

Apesar do erro, o Ceilândia continuou com a iniciativa do jogo, mas apresentava problemas. Esse problema é talvez o mais controverso porque Valter Bala poderia ter decidido o jogo se posicionando para a bola longa.
Isso, contudo, tinha um efeito colateral. O grande mérito de Bala até aqui foi desempenhar uma função tática defensiva muito importante e auxiliar na transição ofensiva pelo chão. Ontem, jogou diferente e isso isolou Timbó. Defensivamente o Ceilândia parecia jogar com 9.

O problema é que o Ceilândia não fez e a Aparecidense foi se acomodando no jogo e começou a oferecer perigo com o posicionamento tático de David que deixou a lateral para começar as jogadas pelo meio (até explorando o buraco não coberto por Bala (principalmente este) e Timbó.
Foi justamente David quem começou a jogada do primeiro gol da Aparecidense. Mais uma vez, diagonal da esquerda de defesa do Ceilândia para a direita da defesa alvinegra (problema que vem ainda do Candangão). Mais uma vez no buraco existente entre Mingotti e Bolt. Moraes abriu o marcador para o visitante.

O Ceilândia sequer teve tempo de se recompor. Aos 24, bola em profundidade e Kaio Nunes ganhou na corrida de Mingotti e a Aparecidense fez 2 a 0. Mingotti tem sofrido no x1 e não foi diferente dos jogos anteriores.
O Ceilândia tentou reagir, mas a bola teimou em não entrar nos chutes de Romarinho e Kennedy. Para piorar, aos 40, novamente pela direita da defesa alvinegra, a Aparecidense fez 3 a 0 com Higor Leite.

Veio o segundo tempo e Adelson trocou todo o lado direito da problemática defesa do Ceilândia. Tirou Mingotti e Bolt e colocou Paulinho e Badhuga. No meio, tirou o criticado e sacrificado Timbó e colocou Cabralzinho.
A verdade é que, seja porque a Aparecidense tenha sentado na vantagem, seja porque o Ceilândia melhorou, o fato é que aos 8 o Ceilândia diminuiu num belo chute de Everaldo. A Aparecidense questionou bastante a existência de impedimento no lance.

Sim, no momento do chute de Everaldo havia 2 jogadores do Ceilândia à frente da defesa da Aparecidense. De longe não é possível afirmar se tiveram participação no lance ou não. O árbitro tinha uma visão melhor que a do bandeira Marconi.
O problema é que, a partir daquele momento, o bandeira ficou na defensiva e errou ao menos duas vezes em ataques do Ceilândia. Estávamos na linha nesses lances, até mais que o bandeira, e podemos afirmar com convicção.

Aos 20, Valter Bala completou o seu dia ruim sendo expulso num momento em que o Ceilândia parecia próximo do segundo gol. Tudo ficava mais difícil.
Nos minutos finais, o bandeira foi também muito criticado por não ver que o goleiro da Aparecidense teria defendido depois que a bola já ultrapassara a linha de gol. Do nosso posicionamento ficou a impressão que realmente a bola passara da linha de gol, mas não podemos afirmar categoricamente tal qual os torcedores que estavam na linha do gol.

Aos 51, o Ceilândia ainda diminuiu com Regino (deslocado para a posição de referência já que o Ceilândia não tinha e não tem um jogador com essas características). Não dava mais tempo: derrota sofrida em casa.
Agora o Ceilândia vai precisar recuperar os pontos perdidos fora de casa. O Gato Preto perdeu a invencibilidade, a liderança e ainda caiu para terceiro lugar no grupo.