
O Ceilândia não conseguiu vencer o Gama no jogo de ida da semifinal. O resultado de 1 a 1 deixa a decisão em aberto, mas este time mostrou que a torcida alvinegra pode sonhar.

O empate pode não ser o resultado dos sonhos alvinegros, mas foi o resultado possível. O Ceilândia não foi perfeito, mas fez a sua melhor apresentação no Candangão 2026.

O Gato Preto ainda é um time em construção, mas nos últimos 5 jogos tem dado mostras do que está por vir. Desde o jogo da fase de classificação o Gato Preto está em evolução e isto muda qualquer cenário.

O jogo de hoje comprovou essa evolução. Não se exige que o Ceilândia domine o adversário por 90 minutos. O que se exige é luta até o último minuto. Mais que isso: exige-se que o Ceilândia jamais seja uma presa fácil. Este Ceilândia não é uma presa fácil.

No primeiro tempo, a iniciativa foi alvinegra. O Gama, salvo por um chute perigoso de fora da área, não incomodou a defesa de Sucuri. Apesar da iniciativa, o Ceilândia não criou situações claras de gol, mas ao menos mostrou que estava vivo no ataque.

Veio o segundo tempo e o cenário do jogo mudou. O Ceilândia confundia velocidade com pressa, não segurava a bola no ataque. O Gama fazia o que faz de melhor: contra-atacava aproveitando os espaços.

O Gama era melhor. Foi aí que Sucuri fez o que sempre faz. Tentou ganhar tempo. Já dissemos aqui. Está errado.O adversário vê isso como uma prova que você está com medo. Era melhor ter dado um pití e chamado a atenção do time para o fato de que estava rifando a bola. Não fez.

Tal qual vem acontecendo desde o ano passado, o Ceilândia toma gol logo após a cêra de Sucuri. A cêra pode te levar a acreditar que você pode mudar o rumo do jogo sem jogar. Você não muda o rumo do jogo sem jogar, sem mudar de atitude. O Adversário vê a cêra como sinal de fraqueza.

A cêra nada mudou porque o problema era estrutural. Sucuri não percebeu isso. Em seguida, lemente colocou os verdes em vantagem. O Ceilândia era valente, mas não conseguia jogar. Simples assim. A cêra não iria mudar. O que mudaria era postura. Cêra é para ganhar tempo, mas havia muito jogo por jogar.

E, verdade seja dita: a cêra de Sucuri prejudicou, mas ele depois do gol sofrido salvou ao menos dois gols feitos. Isso não o isenta do erro anterior.

O tempo passou e Adelson esperou os 15 minutos finais para mexer. Tirou Patrickão e avançou Sandy. Idêntica solução funcionou ano passado. Esta solução funcionou no jogo de hoje.

Patrickão pode ser um jogador útil, mas não é um jogador de transição pelo chão, nem pelo alto. É um jogador de área, de conclusão pelo chão ou pelo alto.

Com Sandy e com Vigia, o Ceilândia melhorou. Num desses lances, Cardoso pegou a bola no meio. A bola foi até Marquinhos, hoje execessivamente individualista. Marquinhos lançou na área. Sandy serviu Cardoso que empatou.

Após o empate, o Gama tratou de cozinhar o jogo. O Ceilândia parecia não saber o que fazer ou achava que era melhor decidir no Bezerrão. Em outras palavras: o Gama não queria, o Ceilândia não sabia o que fazer.

A decisão vai para o Bezerrão. Um empate classifica o Gama. O Ceilândia somente se classifica se vencer o Gama. Em sã consciência ninguém duvida deste time. O Ceilândia está vivo.

O Clássico das Quebradas não é fácil. Nunca foi. Passamos anos sem perder para o Gama. Agora, já são 2 jogos sem vencer. Uma vitória significa vaga na final.

Uma última nota: o Abadião estava lotado. A torcida do Gama todos sabemos do que é capaz, mas pela primeira vez foi minoria num jogo com público. Ah! Diriam, com razão, que os ingressos não foram igualmente comercializados entre alviverdes e alvinegros. A questão é que, nos outros estádios eles sempre são merecidamente maioria, mas não no Abadião.


