
O empate sem gols entre Ceilândia e Mixto no Estádio Abadião, na estreia da Série D, deixou um misto (com perdão do trocadilho) de esperança e decepção.

O pano de fundo principal do confronto foi a relação com as arquibancadas. O público, que decepcionou ao comparecer em pequeno número, saiu frustrado com o placar zerado, mas não inteiramente com a atuação do time.

Analiticamente, o Ceilândia fez o que se espera de um time na Série D. Sofreu muito pouco na defesa e controlou de perto as ações ofensivas do adversário.

Ao mesmo tempo, a equipe marcou presença constante no campo de ataque. O Gato Preto assumiu o protagonismo e deixou o Mixto visivelmente desconfortável ao longo de todo o jogo.

Contudo, espera-se eficiência, e o Ceilândia ficou devendo nesse quesito. A equipe criou poucas situações claras de gol e desperdiçou as raras oportunidades que conseguiu construir.
No primeiro tempo, o Mixto até assustou e acertou o travessão com Felipe Hulk. Mas o Ceilândia teve a melhor chance da etapa com Cardoso, que exigiu grande defesa do goleiro rival após jogada individual.

Na volta do intervalo, o domínio territorial candango se manteve, porém sem efetividade. Um exemplo claro dessa ineficiência ocorreu quando Robert tropeçou na hora exata de finalizar dentro da área, perdendo grande chance.
A melhor sequência ofensiva veio apenas no abafa da reta final. Marquinhos fez ótima jogada aos 35 minutos e Fabinho quase marcou de cabeça aos 46, mas ambos pararam na segurança do goleiro visitante.

Por ser apenas o primeiro jogo, o bom futebol apresentado no controle da partida ainda precisa ser confirmado.
Neste momento inicial, é difícil dizer se o equilíbrio e a imposição foram totalmente construídos pelo Ceilândia ou facilitados pela postura mais organizada e reativa do Mixto.

Independentemente do desempenho, o resultado em casa foi, de fato, ruim. A Série D é de tiro curto e a margem para erro é mínima.
O próximo jogo em Goiatuba é um confronto direto por uma vaga. Ficar três pontos atrás do adversário ou mesmo cinco pontos atrás do Capital é algo extremamente perigoso neste início de competição.

Apesar disso, a torcida tem razões para acreditar que algo de bom foi construído nos últimos dias. O time tem totais condições de voltar de Goiatuba com um resultado positivo na bagagem.
A lição final, porém, é inegociável. O time precisa aliar futebol e resultado, porque futebol sem resultado tem pouca serventia na tabela de classificação.


