
A Torcida perdeu a paciência ontem e ofendeu o técnico Adelson de Almeida e o presidente Ari de Almeida. Alguns jogadores foram poupados do desastre deste sábado, mas isso não é suficiente: todos foram derrotados por 1 x 0 para o Operário. Todos perdem juntos, todos vencem juntos. A torcida também tem sua parte de culpa. Perdemos mais uma vez.

A derrota do Ceilândia, que garantiu a primeira vitória do Operário VG na Série D, escancara o principal problema da equipe candanga neste ano. O resultado doloroso é o retrato de um time que se porta de forma burocrática e passiva em campo, nos jogos e nos treinos.

A partida começou de forma equilibrada, com as duas equipes apresentando forte marcação e criando poucas chances claras nos minutos iniciais de jogo.

O Operário VG começou a assustar aos 24 minutos com Willian Anicete e, logo na sequência, exigiu uma grande defesa do goleiro Edmar Sucuri após um chute forte de Jeanderson.

O Ceilândia chegou a pressionar e desperdiçou uma boa oportunidade aos 33 minutos, sendo punido pouco tempo depois. Aos 38, o Operário VG construiu uma excelente jogada com Augusto, terminando no gol de Gabriel Mineiro, que abriu o placar para os mato-grossenses.

Antes do intervalo, o time visitante ainda levou perigo com uma falta cobrada por Jeanderson. Na volta para o segundo tempo, o Ceilândia precisou adotar uma postura mais ofensiva e passou a controlar a posse de bola.

Pressionando em busca do empate durante os primeiros 10 minutos, a equipe candanga tentava criar, enquanto o adversário apostava nos contra-ataques. O Operário incomodava, o Ceilândia não tinha volume de jogo. Só aos 35 minutos, o camisa 8 Vigia conseguiu espaço e finalizou, mas o chute saiu fraco.

O Ceilândia melhorou com as entradas de Vigia e Robert, a saída de Patrickão e o avanço de Sandy. Patrickão se esforça, a torcida gosta dele, mas obviamente o esquema de jogo não ajuda Patrickão, nem ele ao time. Ele não funciona neste time. Sandy é mais jogador e se adapta melhor no nosso ataque que Patrickão.

A melhor oportunidade candanga foi repleta de drama: após cruzamento de Ian Carlos, Davi Araújo tentou uma bicicleta e parou em uma defesa decisiva do goleiro Guilherme Prezzi. No rebote, com a meta completamente livre, Fabinho desperdiçou a chance e mandou a bola para fora.

A postura mais incisiva no segundo tempo, no entanto, não esconde o fato de que o Gato Preto é um time sem o menor senso de urgência. A equipe soa arrogante ao iniciar os jogos. Em todo o jogo entra perdido em campo, sem compreender que qualquer lance pode definir a partida.

É evidente que o time não funciona coletivamente, o que acaba tornando injustas as críticas da torcida a jogadores. O técnico Adelson e o elenco tentam e se esforçam, mas é nítido que falta sintonia no conjunto da obra. Jogadores e Comissão Técnica são ao mesmo tempo vítima e algozes. A torcida perdeu a paciência ontem.

O desempenho durante as partidas é apenas um reflexo direto do que se vê no dia a dia, com treinamentos disputados sem a intensidade necessária. Para este atual elenco do Ceilândia, parece faltar o entendimento básico de que tanto o campo quanto os treinos devem ser respeitados como algo sagrado.


