
O empate no último minuto garantiu um ponto vital para o Ceilândia, mas a emoção do final não apaga a realidade: deixamos a decisão da vaga para a derradeira rodada da Série D. Como torcedores, sentimos o alívio pulsar, mas a razão exige uma análise mais fria do nosso momento.

As vaias no intervalo e os protestos contra o presidente e o técnico são reações naturais de uma torcida apaixonada que se sente frustrada. As criticas da torcida a Ari e Adelson é pelo conjunto das frustrações de 2026. Ainda que o time tenha melhorado muito nos últimos 3 jogos, a passionalidade do torcedor é proporcional à expectativa gerada e não cumprida.

No entanto, para entender com clareza o que aconteceu em campo, precisamos separar momentaneamente o coração da razão e reconhecer as reais dificuldades da partida. Primeiro: todos sabiam ou deveriam saber que seria um jogo dificil.

O primeiro tempo foi inegavelmente complicado contra um Goiatuba que se mostrou um bom time e conseguiu impor o seu jogo. Seria natural que eles impusessem seu ritmo em algum momento do jogo, mas é preciso pontuar racionalmente que nosso goleiro Sucuri quase não foi exigido nessa etapa inicial.

O gol que sofremos foi merecido por parte deles, porém fruto de um acidente e da dinâmica do futebol e que deixaram a bola à feição para Daniel Costa abrir o placar. As críticas a Fabinho no lance são injustas. Eles tiveram a chance e fizeram. Logo em seguida, o Ceilândia teve a chance clara do empate com Sandy, mas desperdiçamos numa fantástica defesa do goleiro deles.

No segundo tempo, não podemos criticar a entrega e o suor da equipe. Faltou um futebol mais vistoso e organizado e mais inspiração, é verdade, mas os muitos erros cometidos foram gerados pela ansiedade e pelo nervosismo de jogar contra um adversário bem treinado, e não por falta de vontade.

Nesse cenário tenso, o futebol mostra suas nuances e o herói surge: aos 26 minutos, Sucuri operou um milagre ao salvar um gol certo de Julio Victor. Nosso goleiro foi providencial para nos manter vivos, embora, no calor do momento, tenha levado um cartão amarelo desnecessário logo depois e que pode transforma-lo de herói em vilão.

Nos minutos finais, o time foi na base do coração, mas construiu uma jogada que fez jus à partida. No último lance, Cardoso ganhou do zagueiro e cruzou para Cabralzinho marcar um gol de empate que foi fruto de construção, consolidando a segunda assistência de Cardoso nos últimos dois jogos.

Apesar da justiça no placar de ontem, as críticas mais duras da torcida a Ari e Adelson são pelo conjunto da obra e da temporada de 2026. A equipe iniciou a Série D de forma frouxa e arrogante, e não podemos ignorar que a boa fase do nosso rival Gama acabou subindo consideravelmente o sarrafo da nossa exigência.

Essa frustração nas arquibancadas é racionalmente compreensível quando avaliamos o orçamento da equipe. Com o investimento que o clube fez, não é aceitável que o Ceilândia chegue à rodada final lutando no sufoco por uma vaga num grupo onde quatro dos seis times avançam.

Agora, a tabela é clara e fria: Capital e Goiatuba definiram o topo, enquanto Ceilândia, Mixto e União brigam pelas duas vagas restantes. Viajaremos a Cuiabá com a missão de não perder para o Mixto, o que nos garante a classificação, o terceiro lugar e evita o cruzamento imediato com o Gama na próxima fase.

O grande perigo, no entanto, mora na combinação de resultados. Se o Capital perder para o União – já que o líder também joga por pontos para decidir o mando na terceira fase –, uma derrota nossa para o Mixto não nos colocará contra o Gama, mas sim nos deixará tragicamente eliminados da competição.


