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Ceilândia se perde coletivamente e dá empate ao Barra nas Oitavas da D2025

Ceilândia não conseguiu manter o ritmo contra o Barra-SC

Dizem que jogo decisivo você não tem de jogar, tem de vencer. O Ceilândia não jogou, mas também não venceu.

Ceilândia começou melhor e Lagoa foi importante

Há uma boa dose de simplificação aqui, mas não é possível falar a complexidade desse jogo  sem simplificar. Aliás,  o grande erro do Ceilândia, como veremos adiante,  foi simplificar o jogo demais. 

Regino foi sacrificado pela distância entre as linhas alvinegras.

O Ceilândia começou com a iniciativa do jogo e o lance do gol foi tanto uma benção quanto uma maldição. Aos 10 minutos, Tárta lançou Kennedy em profundidade e o Kennedy fez Ceilândia 1 a 0. O gol foi uma benção.

Gol de Kennedy logo no início aliviou, mas o castigo veio no final.

O problema é que a partir dali o Ceilândia achou que toda hora acharia uma bola longa como a do primeiro gol. Ora, é fácil ajustar a defesa para bolas longas. Foi isso que o Barra fez, mas o Ceilândia não ajustou seu jogo para a nova realidade.

Romarinho deu azar nesse lance: no rebote, bola bateu nele, mas não entrou.

Com isso, a cada minuto o Barra foi se assentando em campo, podendo fazer o seu jogo de transição.

Ceilândia deu a bola para o Barra, mas não tinha um plano

Pior ainda, o Ceilândia a distância entre o ataque do Ceilândia e o restante do time foi ficando cada vez maior. Assim, já aos 35 do primeiro tempo parte da torcida torcia para o fim porque o Ceilândia estava dividido entre defesa e ataque.

Mingoti machucou nesse lance. William Barão entrou e não comprometeu.

O Ceilândia que foi para o intervalo era um time gelado, sem vida.  Para alívio da torcida, o Ceilândia que voltou para o segundo tempo até que tentou jogar. Até chegou ao ataque, mas não era um time compacto e não voltou a criar situações de gol.

Ceilândia abusou das bolas longas. Time se dividiu e facilitou vida do Barra.

No fundo, o  Ceilândia era um time valente, mas só isso. Resultado é que o Barra foi se sentindo cada vez mais cômodo no jogo. Sem se arriscar, o Barra foi rondando a área alvinegra com seguidos escanteios.

De tanto ceder a bola para o adversário, uma hora a defesa iria falhar. Culpa não foi da defesa, foi do time.

Não se pode por a culpa na defesa. O Ceilândia estava dividido, deixara de funcionar como time. O castigo veio aos 43 do segundo tempo: a bola sobrou para Saymon que bateu forte e venceu a meta alvinegra.

Quando quis jogar pelo chão, Ceilândia dominou o Barra, mas na maior parte do jogo não foi assim.

O empate em 1 a 1 deixa tudo aberto para Santa Catarina. Neste sábado, o problema do Ceilândia foi  mental. Psicologicamente o time procurou bolas mágicas e facilitou a vida do Barra. No próximo final de semana, já sabe que precisará jogar 90 minutos, mais acréscimos e talvez até pênaltis. 

Barra nem fez força para ter tantos escanteios, nem para empatar.

Vai estar preparado? Todos nós sabemos que esse time individualmente é muito bom, mas  precisa funcionar como time. Contra o Barra, fora de casa, veremos de quê esse time é feito.  É na adversidade que separamos as pessoas de valor. Sábado será dia de separar os vencedores dos perdedores. 

Série D: Hora de fazer história nas oitavas

O Ceilândia está a ponto de fazer história: Contra o Barra será a quinta vez que o Gato Preto joga mata-mata nas oitavas.

Sucuri fazia parte do elenco das oitavas de 2012. Jogo de IDA: Ceilândia 0 x 0 Friburguense

Em 2012, nas oitavas de final, o Ceilândia enfrentou a Friburguense-RJ que então fazia boas campanhas local e nacionalmente. No jogo de ida, realizado no Abadião, a Friburguense  amarrou o jogo e levou a decisão para o Rio de Janeiro.

André Tavares comemora. Ceilândia abre marcador contra Friburguense em 2012: empate com gols classificaria, mas depois veio a virada. Badhuga e Sucuri faziam parte daquele time.

No segundo jogo, o Ceilândia começou melhor e saiu na frente com André Tavares. Pelo regulamento da época, o empate classificaria o Ceilândia, mas não deu. Em lances isolados, a Friburguense virou. No final, o Ceilândia esteve prestes a empatar, mas a classificação não veio.

Na jogada de Willian, Klécio cabeceia para fazer o gol da vitória
Na jogada de Willian, Klécio cabeceia para fazer o gol da vitória

O Ceilândia passou por um período de reestruturação nos anos seguintes e voltou à Série D em 2016.  Na segunda fase, o Ceilândia passou pela Aparecidense (0 x 0 e 2 x 1) e enfrentou o Fluminense de Feira de Santana. No primeiro jogo, na Bahia, o Ceilândia desperdiçou várias oportunidades e venceu por apenas 1 a  0, gol de Klecio. 

Fluminense-BA jogou com a bola: o Ceilândia saiu nocauteado
Fluminense-BA não se desesperou e esperou uma chance em 2016: o Ceilândia saiu nocauteado

Mais uma vez o Ceilândia jogava pelo empate no jogo de volta, desta vez em casa. Tudo parecia que a classificação estava garantida quando nos acréscimos do segundo tempo o Fluminense de Feira fez 1 a 0. Nos pênaltis, o Ceilândia amargou mais uma eliminação. De se recordar que o Gato Preto havia perdido o seu lado esquerdo nos jogos finais, mas a frustração é a mesma.

 

Em 2017: Tropeço em casa custou classificação

No ano seguinte, o Ceilândia mais uma vez chegou nas oitavas.  Na segunda fase bateu o Comercial-MS, vencendo fora por 1 a 0 e empatando em casa em 1 a 1. Agora enfrentou o América de Natal. No jogo de ida, em casa, desperdiçou pênalti, viu o adversário fazer 1 a 0, saiu no desespero e tomou o segundo. A classificação já estava perdida no primeiro jogo.

Pedrão não consegue rebater. O América faria 1 x 0
Pedrão falhou logo na primeira bola e não consegue rebater. O América faria 1 x 0 e sacramentaria classificação.

Na segunda partida, viu o prejuízo aumentar logo no primeiro minuto com o América fazendo 1 a 0 e sacramentando a classificação. No final, o América venceu por 2 a 1 e o Ceilândia entraria em nova fase de reestruturação e somente voltaria às oitavas em 2023.

Em 2023, no jogo de ida, empate sem gols em Caxias (e um gol mal anulado pelo VAR).

Em 2023 tudo parecia ser diferente. Pela primeira vez o Ceilândia fora derrotado na segunda fase, mas reverteu o placar vencendo o Vitória-ES por 3 x 0.  Enfrentou o Caxias no Rio Grande do Sul e poderia ter voltado com a vitória, mas ficou no empate em 0 x 0.

2023: No jogo de volta, mais uma vez gol anulado pelo VAR. Diferente do jogo de ida, o  gol de Bambu foi anulado corretamente.

No segundo jogo, no Abadião, mais uma vez viu o adversário cozinhar o jogo e levar para os pênaltis. Mais uma vez o Ceilândia foi eliminado nos pênaltis. 

Ceilândia e Água Santa entram em campo. Torcida vai lotar o Abadião contra o Barra.

Chegamos a 2025. Temos dois jogadores que jogaram no distante 2012, Badhuga e Sucuri. Além disso temos diversos jogadores que estavam na campanha de 2023, além de Tárta que foi o cérebro do Brasiliense que chegou nas quartas da D2024.  Temos todas as ferramentas para fazer história.

Tarta estava no time de 2012, mas não foi utilizado na campanha da Série D.  Foto de Luan Tomasson

Além de experiência, temos peças importantes, a ponto de dizermos que individualmente somos melhores que o Barra. A maior  virtude do Barra é o jogo coletivo,  a capacidade de segurar a bola e controlar o jogo. Já fomos vítimas disto no passado e serve de alerta. Será um jogo de paciência.

Adelson: time ainda está em formação
Adelson ao lado de Tárta em 2017: Técnico do Ceilândia em todas as decisões da Série D

Serão 180 minutos. Um resultado positivo no primeiro jogo é muito importante porque condiciona o segundo. O mais importante, contudo, é sair vitorioso ao final dos 180 minutos.