
O Ceilândia perdeu mais uma para o Capital. E, para o torcedor, é isso o que importa.

O resultado explica — e de certo modo legitima — a campanha “Fora Adelson” iniciada nas redes sociais.
O torcedor de 2026 está cansado. Cansado das derrotas, cansado das promessas, cansado de se apegar a pequenas melhoras para passar por novas decepções.
Não há mais paciência para análises sofisticadas. O que se cobra é vitória.
Mas também seria intelectualmente desonesto ignorar o que aconteceu ontem dentro de campo, ignorar as mudanças no elenco e as mudanças táticas (ainda que as mudanças no final tenha retornado ao Ceilândia de antes).
A atuação do Ceilândia não foi ruim. O problema é este: comparado com o quê?
Pela primeira vez no ano, o Ceilândia mostrou atitude competitiva. Mostrou presença emocional no jogo. Havia senso de urgência.
O problema é que senso de urgência não é algo que deve ser servido de vez em quando. Senso de urgência é algo que deve existir sempre.
E a falta do senso de urgência teimou em aparecer. No lance do primeiro gol do jogo, a falta de senso de urgência apareceu com Fabinho.

Na bola invertida para a esquerda da defesa alvinegra, Fabinho poderia ter forçado o erro do atacante. Reduziu a passada e deixou ele dominar a bola. o Na sequencia, bola invertida para a direita de defesa do Ceilândia e novamente invertida para a esquerda da defesa do Gato Preto e o primeiro gol do jogo.

A torcida não perdoou Fabinho. Fabinho retrucou e passou a ser hostilizado.

O Ceilândia empatou em seguida com belo gol de Davi Araujo. Parecia que tudo havia mudado e . E isso ficou evidente na reação da arquibancada: o time saiu aplaudido no intervalo. Algo raro — talvez inimaginável — para quem acompanhou a temporada até aqui.

Veio o segundo tempo. O jogo preso no meio-campo, mas o Capital passou a ter mais iniciativa e volume ofensivo. O Ceilândia praticamente não agrediu.

O Ceilândia não deu um chute sequer a gol no segundo tempo. Ainda assim, defensivamente, conseguiu durante muitos momentos controlar as ações do adversário e impedir chances realmente claras.

Até os 41 minutos.

Após sobra de escanteio, o estreante Ruan dominou na entrada da área e acertou um chute no ângulo, sem chances para Edmar Sucuri. Um golaço. Um lance de rara felicidade. O golpe definitivo numa torcida já emocionalmente esgotada.

Nada disso muda o essencial: foi outra derrota. Mais uma. E contra o mesmo adversário.

O Ceilândia talvez tenha feito sua atuação mais competitiva de 2026. Talvez tenha mostrado, pela primeira vez no ano, atitude compatível com a camisa que veste. Mas, quando a confiança desaparece, comportamento não basta. Entrega não basta. Aplauso no intervalo não basta.

O placar de 2 a 1 amplia uma sequência amarga, reforça a sensação de impotência e consolida um incômodo difícil de negar: o Gato Preto virou freguês do Capital. Tão pior quanto: deixa o Ceilândia fora do G4 e na obrigação de vencer seus dois próximos jogos se quiser classificar.












União Rondonópolis











